Ação do assistente social com pessoas que vivem com HIV/aids

Ação do assistente social com pessoas que vivem com HIV/aids

A desigualdade social e a pobreza constroem múltiplos níveis de desproteção social, há distâncias cada vez maiores entre a medicina, a tecnologia e a área social. O fato é que a doença e a experiência que ela representa transcendem a esfera médica e cumpre um papel em todos os lugares da vida social.

Em uma sociedade onde as pessoas são respeitadas pela aparência, pelo que vestem e pelos bens que adquirem e acumulam, aqueles que não têm acesso a estes bens não se encaixam nesta ordem, não fazem parte do mundo de pessoas normais.

A ausência ou a escassez no acesso a bens e serviços, e a carência na efetivação às políticas de Seguridade Social (assistência social, previdência social, saúde), com pessoa que vive com HIV/aids, transcendem a experiência da doença e se materializa na ruptura social, muitas vezes vivem em situação de precariedade econômica e social.

Quanto mais vulnerável a pessoa e a família mais cruéis são as dificuldades enfrentadas para minimizar essas mesmas dificuldades (econômicas, de acessibilidade a bens e serviços, à formação e ao emprego). Percebemos que a banalização da vida vem sendo gradativa; não é tão difícil constatá-la na simplicidade e mesmo na impotência que vivenciamos na sociedade diante do maltrato que circundam as questões da vida, dos direitos, da sobrevivência. Longe vamos ficando da afirmação de que todo o homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. (Declaração Direitos Humanos,1948, art. 3)

A experiência como profissional assistente social e pesquisadora tem demonstrado que as pessoas que vivem com HIV/aids, tem enfrentado uma série de barreiras, que quando não obstaculizam, dificultam sobremaneira o acesso aos mais variados direitos e liberdades fundamentais.

A relação entre saúde e doença revela-se uma das importantes questões de reflexão do assistente social e foco do exercício de sua prática profissional. O conjunto de conteúdos privilegia investigações no campo da doença, das políticas de proteção social e das legislações especificas. Neste sentido, a capacitação de profissionais da área da saúde para trabalhar na atenção e cuidados as pessoas que vivem com HIV/aids requer certa preparação que inclua uma abordagem sobre o significado da doença, modificações sócio econômica, a família, planejar o futuro, vida e morte, sofrimento e sentido ético-político, em uma perspectiva de acessibilidade e garantia aos direitos sociais.

Assim, a prática profissional do assistente social configura-se como possibilidade de reconhecimento das demandas de seus usuários como medida de proteção social e garantia dos direitos sociais visando a segurança de sobrevivência, de acolhida, e convívio familiar.

Podemos ainda refletir sobre o Serviço Social na sociedade contemporânea quando possibilitamos esse debate e denunciamos as desigualdades no intuito de garantir o acesso aos direitos sociais.

 

Lucy Mazera

Assistente Social

Diretora de Assuntos Profissionais da APASESP

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

LINK DE INSCRIÇÃO:

https://docs.google.com/forms/d/1llgJt9MkTwgB2z5R5NXeCWY8-cVYQRrPDEkcKViKwX0/viewform?edit_requested=true

ENDEREÇO:

Rua Ministro Godoy, 969 – Perdizes/SP
CEP: 05015-000